Queijeiros da Bahia ganham 114 medalhas no XVII Enel

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O XVII Enel – Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados, realizado em Campina Grande, na Paraíba, de 26 a 28 de outubro, contabilizou 764 produtos inscritos de estados nordestinos, dentre os quais mais de 300 foram produtores da Bahia. Ao todo, houve 236 premiações e destas, 114 foram conquistadas por queijeiros da Bahia.

A analista técnica da Coordenação de Agronegócios do Sebrae Bahia, Juliana Antunes, aponta que houve um grande avanço desde a edição do ano passado, realizada em Vitória da Conquista. “Somente este ano, realizamos 12 cursos de produção de queijos artesanais. Como gestora, fico muito orgulhosa com essas premiações, porque coordeno a nível estadual este segmento. Esse número expressivo de produtores da Bahia premiados é uma soma de esforços e ações que a gente vem estruturando ao longo do ano”, avalia.

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Juliana ainda comparou os números do Enel da Paraíba em relação ao quantitativo do evento que aconteceu na Bahia, em 2022. “Tivemos uma evolução desde quando sediamos o Enel. Estamos vivendo uma revolução queijeira na Bahia, que se destaca no Nordeste como uma grande referência”, afirma. No Enel conquistense, houve 221 produtos inscritos, sendo 121 da Bahia. Das 89 medalhas entregues, 47 foram para produtores baianos.

“Esses resultados motivaram os produtores baianos, que buscaram cada vez mais o Sebrae e temos entregado cada vez mais ações e soluções a eles”, diz a gestora. Logo após a 16ª edição do Enel, o Sebrae Bahia organizou missão para o Mundial do Queijo Brasil, realizado em São Paulo, que envolveu 11 países, com 1.113 produtos inscritos. A gestora Juliana Antunes também compara o total de produtos inscritos no Enel de Campina Grande com os da competição internacional. Ela assinala que os números da disputa regional se aproximam bastante do registrado na disputa mundial. “Isso ilustra a expansão do desenvolvimento do segmento na região Nordeste”, comenta.

A maioria dos produtores de lácteos que concorrem nesses concursos e estão sendo premiados não tem nenhum tipo de registro junto ao sistema de inspeção. “Nós temos muita dificuldade de regularizar essas queijarias, não pela falta da qualidade, nem porque eles não se adequam à legislação, mas por conta das questões burocráticas que envolvem os órgãos de fiscalização”, frisa. “Temos trabalhado essa questão no Sebrae, apoiando esses produtores para que eles se adequem às leis vigentes, sigam trabalhando com boas práticas e mantenham a qualidade dos produtos”, afirma a gestora.

Produtores

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O proprietário da Queijaria e Fazenda Licurizal, em Santanópolis-BA, João Tavares Flores Campos, é advogado, antropólogo, pecuarista e queijeiro. Ele produz um queijo autoral, nomeado de “Clodoaldo” – uma homenagem ao avô -, que lhe rendeu medalha de ouro no Enel da Paraíba. Um mês antes, em setembro, participou do Mundial de Queijos da França, quando foi agraciado com medalha de bronze. Já no Mundial do Brasil, em 2022, levou medalha de ouro.

“O Enel da Paraíba foi um divisor de águas para o cenário do queijo artesanal nordestino. A gente viu um aumento na quantidade de produtos e, em grande parte, isso é graças ao Sebrae que ajudou produtores nordestinos, especificamente baianos. Uma grande quantidade de produtores dominava pouco a técnica de produção de queijos, mas graças às capacitações do Sebrae conseguiram aperfeiçoar”, afirma.

Segundo João Tavares, seus queijos não são certificados, mas são orgânicos. “Trabalho o manejo ecológico de solo de pastagem, utilizo raças adaptadas ao bioma da caatinga e, em razão disso, não preciso de artificialismos, não drogo minhas vacas, nem lanço venenos nas pastagens. Faço um queijo livre de resíduos químicos e altamente saudável. É um modo de preparo único, com base na tradição indiana de produzir queijo e na tradição nordestina também. Procuro trabalhar com os microorganismos que estão no ambiente da caatinga para produzir um produto diferenciado e preservando a nossa identidade”, explica.

José Eval Carneiro, dono da Fazenda Caldeirãozinho, em Nova Fátima-BA, participou pela primeira vez do Enel em 2022, na edição realizada na Bahia. Inscreveu dois queijos (frescal Minas e coalho), mas não foi premiado. Na edição deste ano, na Paraíba, inscreveu 17 queijos e 3 manteigas. Os queijos lhe renderam 9 medalhas (5 de bronze, duas de ouro e duas de superouro) e pelas manteigas – uma delas saborizada com tangerina – ganhou duas medalhas.

Filho de pecuarista, José Eval, juntamente com a esposa e os filhos, atualmente, produz queijos tipo muçarela, frescal Minas, maturados e coalho (com calabresa, ervas finas, carne seca, umbu, alecrim, peito de peru, dentre outras variedades).  O frescal Minas que concorreu na Paraíba contou com uma inovação: a adição da flor bougainville e, por isso, foi merecedor de uma das medalhas superouro que levou para casa. A outra superouro foi para o coalho maturado.

Uma de suas alegrias durante a competição foi ver o queijo produzido por seu filho de 16 anos, José Victor Lima de Almeida, ganhar medalha de bronze. Batizado de “Inspiração”, o queijo foi submetido a 10 meses de maturação. José atribui a rápida evolução na qualidade dos lácteos de sua fazenda aos cursos e mentorias que tem participado, desde 2021. “Sem o Sebrae, a gente não iria atingir esse ponto a que chegamos. Não tínhamos conhecimento na área de queijo. Estamos muito felizes com todo esse resultado”, celebra.

Antes disso, em 2017, através do Sebrae, adquiriu um embrião (fertilização in vitro – fivi) que foi implantado nas vacas como estratégia de beneficiamento genético. A primeira cria nasceu ainda naquele ano e, atualmente, já possui 12 cabeças, que são fruto da iniciativa. “Hoje, estamos colhendo esses resultados com a qualidade do leite produzido”, comenta o queijeiro.

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